sábado, 21 de março de 2009

WATCHMEN REVIEW

Para o que seria, na opinião do público em geral, um dos melhores filmes do ano, este filme é uma pequena desilusão. Não por ser um mau filme, pois possui efeitos especiais e elementos em termos históricos e culturais deveras interessantes, mas o exagero em diálogo e a caracterização demasiado elaborada de certas personagens tornam-no algo fastidioso.

Watchmen insere-se na categoria de filmes de super heróis, que no novo século têm prosperado imenso com vários filmes a estrear anualmente, mas distingue-se dos demais por várias razões.
Em primeiro lugar, a história não segue um protagonista ou um grupo de protagonistas a lutar e tentar impedir um plano por parte de um antagonista. Isto é possivelmente a ideia mais inovadora do filme. A audiência não irá conseguir distinguir quem são os heróis e quem os vilões (se existem), pois a história toma imensas reviravoltas, o que torna difícil separar uns dos outros. A linha entres os dois campos é muito ténue e em certas partes nem existe.
Todos os protagonistas têm virtudes e defeitos normalmente atribuídos a meros seres humanos, e não propriamente as que são associadas ao estereótipo de um super herói. Todos cometeram erros, alguns bem graves, ao longo de suas vidas e no decurso do filme, mas depois contrastam estas situações com acções heróicas e salvando vidas.
Realmente estas frequentes reviravoltas no enredo contribuem para que Watchmen seja colocado numa categoria por si só, na secção de filmes baseados em super heróis.

O filme começa bem e de uma forma muito prometedora, com um combate entre The Comedian e um homem inicialmente não identificado. A luta desenvolve-se de uma forma bem coreografada e não demasiado exagerada. Os efeitos especiais utilizados e os slow motions aplicados relembram cenas do filme 300, não fosse o realizador de Watchemen a mesma pessoa, Zack Snyder.

Depois desse combate, começa o filme a desenrolar-se verdadeiramente. Seguimos um diário mantido por uma das personagens principais, Rorschach, e passamos a conhecer os membros de Watchmen um a um. E é nesta parte que o filme começa a ir por água abaixo.

Diálogos longos e tediosos, histórias e recordações que em pouco ou nada contribuem para estabelecer as personagens e as suas personalidades e, o que mais me irritou neste filme, explicações demasiado elaboradas para certas personagens secundárias do filme.
Um bom exemplo disso é um monologo de cerca de 10 minutos que Dr. Manhattan tem descrevendo como conheceu a sua ex-mulher e os maiores acontecimentos da sua relação com a mesma. Isso não seria tão mau, não fosse a mulher dele aparecer apenas por 1 minuto no ecrã para dizer que tem cancro e de resto não tem mais nada a ver com o filme ou o enredo principal do filme.
O que é que isto significa? Que perdemos 10 minutos da nossa vida a tentar não nos adormecer para nada! Não se perdia nada ao remover esta cena do filme, bem pelo contrário, só iria melhorá-lo. E isto é apenas um exemplo dos vários que se encontram neste filme.

Depois o filme segue um padrão bastante previsível, alternando entre cenas de nudez explícita ( por vezes perturbadora), para cenas de violência (muitas vezes gráficas e perturbadoras), e de seguida diálogos e monólogos de 10 minutos (estes também perturbadores, mas de outra maneira, pois temos de nos esforçar para não adormecer para não perdermos as cenas de nudez ou violência).

O filme tem o mérito de retractar bem (por vezes demasiado) as personagens, estabelecendo os motivos pelas suas acções, mas, e não me canso de dizer isto, exagera na abundância de diálogos e monólogos. Tem excelentes cenas de acção, utilizando com frequência o efeito “shock and awe”, apanhando a audiência desprevenida com o uso da violência (que não é pouca) e o uso de sangue (só aí devem ter gasto metade do orçamento).

O soundtrack do filme é uma das suas melhores virtudes. As músicas são perfeitas a enquadrar o filme nos anos 80 e, quando ocorrem retrospectivas por parte dos protagonistas, a música enquadra as mesmas na época em que ocorrem. Neste aspecto a escolha das músicas foi muito bem executada.
O Soundtrack tem músicas de autores bem conhecidos, como Nat King Cole, Simon and Garfunkel e Bob Dylan, que contrastam com outros menos conhecidos pelo público em geral, como são os casos de Nina Simone e Leonard Cohen.
Na minha opinião pessoal, este soundtrack é uma das maiores surpresas positivas que este filme ofereceu e, até ao momento, é certamente o filme que possui o melhor soundtrack, ao qual atribuo uma nota de 9,3/10.

Concluindo, trata-se de um filme que vale a pena ver uma vez no cinema, e não mais voltar a vê-lo. É daqueles filmes que não vale a pena comprar e DVD, pois acreditem quando digo que quando se vê uma vez, não se quer voltar a repetir a tortura agonizante de ter de reviver estes horrorosos diálogos tediosos. O filme ganha pontos pelas cenas de acção e pela inovação de ter criado um mundo paralelo ao nosso, que é ao mesmo tempo reconhecível e em muitas formas diferente da nossa realidade, bem como pelo magnífico soundtrack, que contribui bastante para a nota atribuida a este filme.
Watchmen deixa também a ideia de um uso exagerado e gratuito de violência chocante e gráfica, que não é para todos os gostos. Se forem pessoas sensíveis, recomendo vivamente que não vejam este filme.

Atribuindo uma nota de 0 a 10, considero que este filme vale um 7,4 nesta escala. Se não tivesse tantos diálogos infernais, receberia certamente um 8,3 no mínimo.

1 comentário:

  1. Já não tinha muita vontade ver esse filme, agora então ... até porque eu nem sou aquele gajo que se deixa dormir sempre nos diálogos grandes xD Vou ver alguns cutscenes das melhores lutas no youtube e vou-me dar por satisfeito se ter gasto um cêntimo =D

    PS: Não consegui deixar de reparar que redigiste o texto em old Portuguese, way to go =P

    ResponderEliminar